Estudo mapeia insatisfação do brasileiro com a educação

Por 6 de abril de 2018Brasil, Educação

A Pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, publicada nesta terça-feira (3), registrou um aumento na insatisfação da população com a educação básica do país nos últimos sete anos. Ao mesmo tempo em que nove em cada dez dos entrevistados (89%) consideram o aprendizado escolar importante para o desenvolvimento do Brasil, apenas 34% avalia o ensino público como ótimo ou bom – em 2010, esse percentual era de 50%.

O levantamento foi realizado em setembro do ano passado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o movimento Todos Pela Educação. Foram ouvidas 2 mil pessoas em 126 municípios. Além de avaliar a satisfação com o ensino, o estudo também identificou que a maioria dos entrevistados concorda totalmente ou em parte que a educação deficitária tem ligação direta com a geração de corrupção (60%) e violência (77%) – áreas que representam grandes desafios do país.

A percepção sobre o impacto da baixa qualidade do ensino na corrupção e violência é maior entre a população com maior instrução. Entre aqueles que concluíram até a quarta série do ensino fundamental, 71% concordam com a afirmação, já entre os que possuem ensino superior, são 82%.

O dever de promover a educação de qualidade no país foi atribuída pelos entrevistados a diversos atores da sociedade. Sete em cada dez (70%) dos participantes entenderam que todos têm muita responsabilidade pelo ensino, com destaque para diretores, professores e pais de alunos.

Eleições
Para o gerente de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, Gabriel Correa, a pesquisa é positiva pois sinaliza melhora na percepção, inclusive entre os mais jovens. “Havia um descasamento entre a percepção da população quanto à educação e a real situação que é muito crítica e muito grave”. Para ele, o estudo mostra uma tendência de cobrança do poder público.

“O próprio aumento da insatisfação da população com a educação, em parte, gera um otimismo nosso porque a população começa a perceber que a qualidade da educação é muito grave. Essa percepção é fundamental para iniciar um processo de mudança que precisa passar com maior comprometimento político. A pesquisa é importante, principalmente em um ano eleitoral”, afirmou.

De acordo com a pesquisa, 77% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que o governo não se compromete o bastante com a educação e para 81% há problemas no uso dos recursos da área. A maioria das pessoas atribui maior responsabilidade sobre a educação a agentes públicos regionais. No ranking, a obrigação ficou liderada respectivamente pelo prefeito e governador. O presidente da República ficou em último lugar – inclusive atrás dos próprios alunos.

Mercado de trabalho
Apenas 12% dos entrevistados acreditam que o aluno de ensino médio está preparado para o mercado de trabalho. Em 2010, esse percentual era de 14%. A maioria, 32%, considera que os estudantes estão pouco preparados.

O estudo avalia que entre 2010 e 2013 havia uma percepção maior de preparo ao sair do ensino médio devido ao crescimento forte na economia. Já em 2017 houve maior dificuldade para encontrar trabalho devido a crise econômica, o que pode ter favorecido a diferença no resultado da pesquisa.

Entre aqueles que completaram até a quarta série do ensino fundamental, 20% acreditam no preparo dos alunos para o mercado de trabalho, já entre os entrevistados com ensino superior, o percentual é de apenas 4%.

Educação integral e recursos
A educação integral, uma das maiores bandeiras do governo federal, não é vista com protagonismo pela população. Aumentar o tempo que o aluno fica na escola é visto como importante para resolver o problema do apredizado para 13% dos entrevistados.

Entre as soluções apontadas pelos entrevistados, maioria acredita que as escolas devem ser equipadas (28%). Em seguida no ranking de urgências está a melhoria da participação dos pais (25%) e o aprimoramento da segurança (25%).

Para a maior parte dos entrevistados, o maior recurso na educação é o pessoal, os professores. Os docentes são mais bem avaliados que a infraestrutura das escolas. Em uma avaliação de 0 a 10, os entrevistados deram nota média de 5,2 para a condição das instituições e 6,7 para os professores.

O quesito mais criticado nas escolas corresponde com as soluções apontadas. Em primeiro lugar entre as queixas está a segurança, com nota de 3,7. Na avaliação de professores, o pior aspecto foi o relacionamento com os pais, com média de 6,1.

A pesquisa questionou ainda se o problema da falta de verba para a educação básica poderia ser resolvido com a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. O resultado foi acirrado – 46% concordaram totalmente ou parcialmente e 50% discordaram de alguma forma, o restante não opinou.

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